
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
sábado, 26 de dezembro de 2009
A Festa: ecologia, paixão e morte

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Por que é a festa de touros património imaterial da humanidade?

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Uma reflexão
Uma vez mais, dou por mim a pensar sobre o toureio em Portugal. Não cuido de saber se o toureio a cavalo à portuguesa perde terreno perante o rejoneo, nem qual o futuro do toureio a pé no nosso país, nem as últimas manobras dos anti-taurinos. Tento ir mais fundo, avançar para questões mais subterrâneas, às quais a grande maioria dos aficionados parece ser estranha.
Penso, por exemplo, nos toiros que se lidam em Portugal, e não posso deixar de me perguntar: que outro país do mundo em que a corrida está implantada, nega aos seus espectadores o direito de ver sair à praça toiros íntegros? Isto é, toiros como vêm do campo, sem estarem embolados ou com as pontas dos cornos serradas. Se o toiro é o centro do espectáculo – por isso se fala em touradas -, como admitir, sem uma profunda vergonha, a fraude que constitui a diminuição das suas defesas?
Como sustentar que o doping no desporto é uma vigarice e tolerar o serrote ou as embolas nos toiros?
Dizem-me que esta e outras particularidades são o resultado da existência de uma corrida de toiros «à portuguesa», com cavaleiros e forcados, diferente da outra corrida, dita «à espanhola». Contentar-me-ia com a explicação, se a lide «à espanhola» praticada nas nossas praças tivesse a verdade que o toureio implica. Mas o certo é que não tem, pela falta da corrida integral, com reses sem hastes manipuladas, com a sorte de varas e a morte do toiro na arena.
Em resumo: temos um «arranjo» do toureio e das suas normas à medida de cavaleiros e forcados, de que resultou a corrida «à portuguesa», e um toureio a pé dito «à espanhola», mas que foi, na prática, inventado pelos políticos e burocratas que proibiram a corrida integral entre nós. Com a complacência, claro está, dos pseudo-aficionados, pseudo-toureiros e de muitos outros ‘pseudos’ que por cá abundam.
Tudo espremido, o que resulta é a angustiante sensação de se estar à beira de um lago de mentiras, de que tantos, de tão embrenhados nele, não se apercebem ou não se querem aperceber. (Imagem: Cássio Mello)
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
José Casimiro Júnior

Un brindis a caballo, la más bella
flor de la portuguesa cortesía.
Cundo el toro arrancó, ya conocía
su obligación de conjugar su estrella
con el signo violento del jinete.
No supo de esto el rey Alfonso el Sabio?
A rematar la elíptica en un brete
no bastarán armellas y astrolabio?
Cometa vertical, el hierro agudo
en lo alto del morrillo hincó su agravio.
Torció el blanco caballo grupa y cola
y, al galopar arábigo y sonoro,
estalló al aire alegre banderola.
Gerardo Diego («La Suerte o la Muerte»)
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Recordando Nicanor Villalta
O diestro Nicanor Villalta foi um expoentes da chamada Idade de Prata do toureio, que se estendeu desde a morte de Joselito, em 1920, até à Guerra Civil espanhola. Nascido em Cretas (Teruel) em 1897, Villalta não podia ser um dos toureiros estilistas (hoje chamar-lhes-íamos artistas) que abundaram naquela época. A sua elevada estatura impedia-o de emular com um António Márquez, um Gitanillo de Triana ou um Victoriano de la Sena. Contudo, o seu toureio de muleta tinha«bizarria e valor», no dizer de Cossío, e as suas estocadas eram impressionantes pela segurança e valentia.
Villalta, que se retirou do toureio em 1935, foi um dos protagonistas do documentário «Juguetes Rotos», realizado por Manolo Summers, em 1966. A preto e branco, o documentário vai ao encontro de antigas glórias do toureio, do futebol e do boxe, captando-lhes o que lhes resta da grandeza passada. São agora brinquedos quebrados (juguetes rotos), a viver em asilos ou em moradias tão velhas como eles.
Frente às câmaras, Nicanor Villalta vestiu-se de luces pela última vez, e lidou, aos 68 anos, um novilho, numa Monumental de Madrid deserta. Com que majestade o velho matador atravessa a arena de Las Ventas, palco de tantos dos seus triunfos... E com que toreria enfrenta o novilho, que no fim da inédita faena o colhe aparatosamente... Nicanor Villalta, exemplo de bravura e honradez profissional, morreu em Madrid, em 1980.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Coisas que inquietam

quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Da Rússia, com afición

Chama-se Loky, é pintora e vive em Moscovo. Declara-se encantada com a cultura, a história e as tradições de Espanha, entre elas a corrida de touros, como arte e como espectáculo. Para mostrar como os seus olhos de artista perspectivam o fenómeno taurino, criou o blog Loca un Poco, no qual se podem apreciar algumas magníficas aguarelas. Para ver e desfrutar.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Artista até de bicicleta
sevilhanos do início dos anos 80. E o caso não era para menos: Pepe Luis Vázquez Silva era filho do imenso Sócrates de San Bernardo, um dos mais perfeitos intérpretes do toureio natural, perfumado pelas florituras do duende, que dá fama à capital andaluza. Depois de uma alternativa de sonho - concedida por seu tio Manolo Vázquez, com o apadrinhamento de Curro Romero, em 1981 -, o jovem Pepe Luis não cumpriu as expectativas. Era (é) um toureiro de detalhes, de mão feita para os lentos voos da muleta, e não para a agressividade da estocada. Depois de faenas de arte pura, muitas orelhas se lhe foram por falhar com a espada. Embora não se tenha retirado oficialmente, os contratos foram decaindo. Pepe Luis Vázquez deixou de aparecer nos cartéis, dedicou-se ao ensino, na escola taurina de Sevilha, e a tourear em festivais. A revista «Taurodelta», da empresa que rege a praça de Las Ventas, entrevistou-o no seu último número, revelando um homem de vincada personalidade. Um toureiro de inspiração, sem a capacidade «fuera de lo normal» dos diestros de hoje, que «pegan pases a todos los toros». Toureiro na praça e en la calle, a quem alguém, vendo-o pedalar pelas ruas de Sevilha, disse: «hasta montado en bicicleta tienes arte». (Foto: ambitotoros.blogspot.com)
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Lévi-Strauss e a tauromaquia

O filósofo francês Claude Lévi-Strauss, recentemente falecido, interessou-se pelo fenómeno taurino e reflectiu sobre ele. Xavier Klein, no blog camposyruedos, recorda algumas opiniões do mestre do estruturalismo sobre a matéria. Lévi-Strauss considerava a tauromaquia «um caso de sobrevivência único e atípico», numa sociedade dominada por valores que são tantas vezes a antítese do confronto homem/toiro. Por isso, o filósofo partilhava da opinião daqueles que sublinhavam o apagamento do carácter ritual do toureio e o triunfo da dimensão comercial. Pessimista, temia que, um dia, tudo acabasse numa mascarada, «como os índios que fazem a dança da chuva para agradar aos turistas». As culturas que resistem, salientava, são as que resistem e não transigem quanto aos seus modos de expressão. Essa será a única forma de preservar os valores autênticos do toureio.
terça-feira, 28 de julho de 2009
Da miséria da «crítica» taurina

Não vou falar do jornal nem do blogue oficioso de um cavaleiro tauromáquico e respectiva prole. Apetece-me, isso sim, comentar os comentários dos comentadores da recente Corrida TV do Norte, que a RTP transmitiu domingo à tarde. Em primeiro lugar, para lhes louvar a bondade. Tem com certeza um lugar assegurado no céu quem deixa passar em claro tantos e tão escandalosos atropelos à arte de tourear a cavalo à portuguesa. Toques nas montadas, que foram às dezenas? Simples expressão do atrevimento dos nossos jovens cavaleiros, que gostam de arriscar... Voltas e voltaretas à la Ventura? Reflexo do espírito inovador dos nossos rapazes (e raparigas)... Cites apalhaçados e «graxa» ao público? Poder de comunicação com as bancadas... Onde está a dimensão pedagógica da crítica? Quem pode aprender com tais mestres?
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Sobre o temple e a pega

Um dicionário de língua espanhola diz-nos que templar significa «temperar», «moderar», «suavizar», «amenizar». Quem templa, ameniza ou modera qualquer coisa. No caso do toureio, a investida do cornúpeto. O toureiro que templa suaviza, molda o ímpeto do touro, tornando a lide possível. Como se diz muitas vezes, ensina-o a investir. E como se consegue isso? Em primeiro lugar, e aqui entra o que acima se referiu, ajustando a deslocação da muleta ao movimento do touro, evitando os indesejáveis enganchones. Mas é óbvio que isso é insuficiente para lhe templar, moderar ou suavizar a investida. Para tal, o toureiro deve ministrar os passes que o adversário requer. Deve dar-lhe mais ou menos passes ‘de castigo’, ter atenção à altura a que coloca o engano, à circularidade do passe, etc.. E tudo isto deve ser feito de acordo com as regras: o diestro deve citar, embarcar o adversário no engano, correr a mão, rematar e deixar o touro pronto para outro passe.
Intimamente ligado com o temple, temos o mando. Sem templar não se manda e sem mandar não se templa. E uma e outra coisa não se conseguem sem parar o touro. Parar, templar e mandar são os três vértices inseparáveis do triângulo do toureio.
Vêm esta considerações a propósito de ultimamente se ouvir dizer, em especial a alguns comentadores televisivos, que os forcados templam. E porquê? Porque, segundo as luminárias do pequeno écran, quando o touro investe e o forcado da cara recua, este adapta a sua velocidade à acometida do animal. E pronto, isso é suficiente para existir temple.
Se o corpo do forcado se equiparar ao capote ou à muleta e o temple se resumir à singela noção apresentada em primeiro lugar, até poderia existir. Mas acontece que as coisas são muito mais complexas do que pensam os amáveis comentadores.
O forcado não templa, isto é, não tempera, não suaviza, não modera a investida do touro, porque, pura e simplesmente, não tem condições para tal. Quando chega à pega, o touro já se encontra no estado de aplomado, já não há mais nada para ‘temperar’. E mesmo que houvesse, não está nas mãos do forcado controlar a acometida do touro. O forcado obedece, moldando a forma como recua ao ímpeto do touro. O que já é fazer muito, e merece o nosso aplauso.
Por tudo isto, não venham os senhores comentadores de hoje com argumentos que nem os mais ilustrados críticos taurinos do passado – um Leopoldo Nunes, um Cabral Valente, um Saraiva Lima, um Nizza da Silva – nem os mais acérrimos defensores da corrida à portuguesa se atreveram a esgrimir. Porque sabiam do que falavam, ao contrário dos de hoje.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
A última oportunidade?

segunda-feira, 15 de junho de 2009
A farsa continua

João Telles Júnior será o próximo cavaleiro português a tomar a «alternativa» em Espanha, concretamente em San Sebastián, no próximo dia 9 de Agosto. Uma vez mais, será «padrinho» Pablo Hermoso de Mendoza e «testemunha» Diego Ventura. Segundo o site oficial do Campo Pequeno, e os milhares de pessoas que assistiram à cerimónia, ao vivo e pela televisão, poderão confirmar, o referido cavaleiro tomou a alternativa em Lisboa, a 4 de Setembro de 2008. Mas tal deve ter sido mais uma alucinação colectiva, pois de contrário não haveria necessidade de Telles Júnior se «doutorar» no país vizinho.
Falando a sério, o toureio equestre português não desiste de dar passos em frente... em direcção ao abismo. Estamos perante mais um estranho caso em que os «alunos» doutoram os «mestres». Todos sabemos o que os rejoneadores espanhóis devem ao toureio a cavalo português, Pablo Hermoso incluído. Como aprenderam com os nossos cavaleiros e como refinaram, com eles, modo, o basto estilo do rejoneo campero. E tanto aprenderam, que agora são eles a conceder «alternativas» a quem os ensinou.... Claro que a boa fé de Pablo Hermoso não é aqui posta em causa, pois tudo não passará de um ajuste, com objectivos comerciais, entre os apoderados do espanhol e do português.
Ficamos também a saber que Telles Júnior, ou quem o dirige, se considera, à luz do artigo 7º do Regulamento Taurino espanhol um rejoneador de novilhos, que precisa da «alternativa» dum colega mais velho para poder lidar touros... Tal é o desnorte, a falta de senso e de regras que paira no nosso «mundinho» taurino. Eis como se borra uma casaca que deveria merecer mais respeito a quem a enverga. E vêm depois falar-nos em «cavaleiros de dinastia»...
domingo, 31 de maio de 2009
O direito à indignação

Que embuste é este, agora, em Badajoz? Que forma tem esta «alternativa» espanhola no quadro das normas (se ainda há normas) que regem o toureio no nosso País? Quantas alternativas se podem receber? Uma, duas, três, meia dúzia? E como se presta Manuel Lupi, filho de alguém que foi grande no toureio equestre português, a participar nesta farsa? Acaso o pai, quando competia em Espanha com os Peralta e outros, necessitou de mais credenciais que não fossem o seu bom toureio? O marketing justifica tudo?
E o Sindicato dos Toureiros ou quem quer que seja que manda «nisto», não intervém? E os aficionados não se indignam? E os críticos não reagem? Ninguém se atreve a dizer ao moço que, pior que ele, é o toureiro português que fica mal na fotografia?
sexta-feira, 29 de maio de 2009
O insulto e as respostas

quinta-feira, 28 de maio de 2009
Para quando touros destes em Portugal?

terça-feira, 26 de maio de 2009
sexta-feira, 22 de maio de 2009
89 anos depois de Talavera

Na temporada de 1919, recorda o blogue, o influente Gregorio Corrochano, crítico taurino do ABC, parece tomar o partido de Juan Belmonte, o que deixa Gallito profundamente irritado. Chega a temporada seguinte, e José faz tudo para cair novamente nas boas graças do crítico. Almoçam juntos em Madrid, e Corrochano informa-o de que uns primos seus estavam a organizar uma corrida por ocasião da feira de Talavera de la Reina, terra natal de D. Gregório. Os touros a lidar eram duma ganadaria que se anunciava com o nome de Viúva de Ortega, mas que pertencia aos parentes de Corrochano.
Para agradar ao crítico, Joselito oferece-se para lidar a corrida, sendo contratado pelo preço de 5000 pesetas. A 16 de Maio de 1920, vestido de grana y oro, ao lado do seu cunhado Sánchez Mejías, faz o paseíllo em Talavera.
O touro que o matou, Bailador, acusava problemas de visão. Tal podia dever-se a um problema congénito ou ao facto de os ácidos provenientes dos aparelhos digestivos dos quatro cavalos que o touro matou no tércio de varas, lhe terem afectado as faculdades visuais. Certo é que, num momento em que Gallito se afasta para armar a muleta, Bailador arranca e colhe mortalmente o famoso diestro. «O destino marcado havia-se cumprido», termina o post do Córdoba Taurina.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Filósofo Francis Wolff premiado

O filósofo Francis Wolff, professor catedrático na Escola Superior da Universidade de Paris, vai receber o II Prémio Taurino Manuel Ramírez, por um artigo publicado em 28 de Agosto de 2008, no jornal espanhol «ABC». Intitulado «El arte de jugarse la vida», o texto defende vigorosamente a festa de touros e os seus valores. Pode ser lido aqui.
terça-feira, 12 de maio de 2009
Passo a citar (VII)

Não se pode avaliar a bravura na sua plenitude numa lide a cavalo. Apenas se fica com uma ideia do estilo de investida, pouco mais.»
(Joaquim Grave, ganadeiro, entrevistado sobre o Concurso de Ganadarias de Évora, Diário do Sul, 12-05-09)
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Como se forja um triunfo, ou como se aldraba na Net

(Foto www.burladero.com)
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Toureiro patrocinado por...

Em 1987, o matador Luís Reina surpreendeu tudo e todos ao apresentar-se na praça de Plasencia, com um traje de luces que publicitava uma marca de artigos electrónicos. Felizmente, a moda não pegou. Natural de Almendralejo, localidade próxima da raia, Luís Reina tomou a alternativa em Badajoz, em 1980. Após a retirada, exerceu funções directivas na Escola Taurina da capital extremenha, tendo sido professor de Miguel Ángel Perera, actualmente uma das maiores figuras do toureio. (Foto El Periódico Extremadura)
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Touradas e outros divertimentos

quando uma corrida é boa. Que me lembre, o termo
"divertimento" começou a ser aplicado ao espectáculo taurino em Espanha, por alguns matadores mais gaiteiros, estilo Jesulín de Ubrique ou El Cordobés, filho. Ao presenciarem o salto de la rana e outras finezas, os espectadores não podiam deixar de se rir, e, consequentemente, de se divertir... A moda atravessou a fronteira, e desde aí é vulgar ouvir os nossos artistas concluirem, no fim de um espectáculo animado, que estiveram bem, porque o público se divertiu. Também o site de um empresário elogiado por brilhantes cabeças da(s) nossa(s) praça(s) como modelo do moderno empresariado taurino, nos convida: "Disfrute e divirta-se".
Antigamente, quem se queria divertir ia ao circo ou ao teatro, rir com uma boa comédia. Agora vai-se aos touros. Ao som do pasodoble, batem-se palminhas. Pouco importa que o cavaleiro crave os ferros a cilhas passadas ou que a montada sofra toques: tudo se aplaude, tudo é motivo de "diversão". Não dá mesmo vontade de rir?
terça-feira, 5 de maio de 2009
Em defesa da Festa (V)

Alegações deste tipo inscrevem-se na vaga higienista iniciada com as medidas anti-tabaco, que em alguns países descambaram em perseguição aos fumadores. Estendeu-se depois a determinados alimentos, com a ajuda de normas vindas de Bruxelas. No fundo, trata-se de impor coercivamente comportamentos considerados «saudáveis», desprezando muitas vezes os direitos e liberdades individuais. O sonho desta ofensiva moralista é a criação, artificial, de cidadãos «saudáveis» e livres de vícios, resplandecentes de virtude e aptos a viver muitos anos sem sobrecarregar a segurança social pública. Conseguirão assim, julgam eles, criar o «Homem Novo», missão que também se propuseram, sem grandes resultados, os regimes comunistas e fascistas
É uma cidade povoada por homens deste tipo, asséptica como uma localidade termal suíça, que Defensor Moura certamente idealiza. Cabe, no entanto, perguntar ao digno presidente em que medida a proibição de uma corrida de touros (a única que se realizava anualmente na cidade) contribui para tornar Viana mais «saudável»? Acaso a assistência a espectáculos taurinos provoca danos à saúde? Não nos parece... Passando para o plano animal, pergunta-se se os animais de Viana do Castelo passarão a ter melhores condições de vida se não houver ali corridas. Serão construídos mais canis ou prestada maior atenção aos animais abandonados? Só a autarquia poderá responder a estas questões e explicitar o seu conceito de «cidade saudável». À falta disso, as alegações de Defensor Moura são iguais às de tantos demagogos que povoam os centros do poder.
É uma cidade povoada por homens deste tipo, asséptica como uma localidade termal suíça, que Defensor Moura certamente idealiza. Cabe, no entanto, perguntar ao digno presidente em que medida a proibição de uma corrida de touros (a única que se realizava anualmente na cidade) contribui para tornar Viana mais «saudável»? Acaso a assistência a espectáculos taurinos provoca danos à saúde? Não nos parece... Passando para o plano animal, pergunta-se se os animais de Viana do Castelo passarão a ter melhores condições de vida se não houver ali corridas. Serão construídos mais canis ou prestada maior atenção aos animais abandonados? Só a autarquia poderá responder a estas questões e explicitar o seu conceito de «cidade saudável». À falta disso, as alegações de Defensor Moura são iguais às de tantos demagogos que povoam os centros do poder.
Passo a citar (VI)
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Em defesa da Festa (III)

abjectas condições de vida concedidas aos frangos criados em aviários ou aos porcos privados de luz e espaço.» Por outro lado, por influência das teorias morais e jurídicas anglo-saxónicas, «uma boa parte da problemática moral está agora dominada pelo conceito ético-jurídico de ‘direitos’ (‘tem-se direito a’) e ‘o animal’ passa a ser um novo sujeito desses direitos.» É preciso sublinhar, em primeiro lugar, que não se pode falar em Animal, mas em espécies animais, cada uma com as suas características próprias, que justificam tratamento diferente por parte do homem. No caso concreto do touro, existem profundas diferenças entre ele e os outros animais, não apenas ao nível etológico (comportamental) como também das condições de vida. Na sequência do que afirma Francis Wolff, os frangos de aviário ou os porcos são tratados pela sociedade industrial como uma mercadoria. Alimentados à força, criados num espaço mínimo, abatidos mecanicamente, são reduzidos à condição de «coisas», sem dignidade nem individualidade. Exactamente o contrário do que sucede com o touro. Um touro possui uma «personalidade» enformada por uma qualidade a que se chama bravura, e que o distingue dos restantes animais. Depois, não é criado numa linha de produção, como os animais de aviário, mas sim em campo aberto, com o espaço de que a sua dignidade de animal especial necessita. Ao longo da sua existência, um touro goza do respeito de que a maioria dos animais não usufruem. Para este estatuto especial contribuirão também as reminiscências dos tempos em que o touro era considerado um deus, por algumas civilizações. (Continua)
Nuno Casquinha: temos toureiro

quinta-feira, 30 de abril de 2009
Em defesa da Festa (II)

Em Portugal, as hostes animalistas foram reforçadas nos últimos anos com o aparecimento de novos movimentos, mais aguerridos do que a Sociedade Protectora dos Animais, durante muito tempo a única protagonista da luta contra as corridas. Os membros dos novos movimentos são fundamentalmente jovens de origem urbana, com formação universitária.
Até hoje, a mais mediática acção dos animalistas portugueses foi a contestação aos touros de morte em Barrancos. A questão arrastou-se durante anos, até que, por fim, foi solucionada com a legalização dos festejos taurinos característicos daquela vila raiana. Os anti-taurinos são derrotados, mas o relevo que a imprensa dá à questão confere-lhes grande visibilidade. Nos últimos tempos, a sua acção têm-se traduzido fundamentalmente em manifestações à porta de praças de touros e em actos de pressão sobre empresas que apoiam corridas e autarquias a quem cabe licenciar espectáculos taurinos. A sua maior vitória terá sido a recente compra da praça de Viana do Castelo pela autarquia e a declaração da cidade minhota como «anti-touradas». Segundo o presidente da Câmara, Defensor Moura, a realização de corridas contrariava o conceito de «cidade saudável» que Viana aspira a ser. (Continua)
«Alternativa» em Badajoz?

quarta-feira, 29 de abril de 2009
Em defesa da Festa (I)

No quotidiano, estas teorias traduzem-se em novos estilos de vida. Promovem-se os comportamentos «saudáveis», denunciam-se os malefícios do tabaco e de certos alimentos, difundem-se as virtudes das dietas, do exercício físico e da prática desportiva. O conceito de juventude é hipervalorizado: antes de tudo, interessa ser, ou parecer, jovem. A difusão deste caldo de cultura é facilitada pelo aparecimento das novas tecnologias da comunicação, nomeadamente da Internet. O gigantesco incremento das capacidades comunicacionais transforma em realidade o sonho de McLuhan: o universo é agora a Aldeia Global. (Continua)
terça-feira, 28 de abril de 2009
Chega de carolice, mas...

sábado, 25 de abril de 2009
Passo a citar (V)

Araceli Guillaume (Revista Taurodelta, nº 11)
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Que diferença!

Quem poderá defender eficazmente os pontos de vista dos aficionados? Não sei. Mas duma coisa tenho a certeza: debates deste género têm que ser travados com argumentos mais elevados (éticos, filosóficos), que nitidamente escapam à grande maioria dos profissionais do toureio e dos paupérrimos críticos da nossa praça.
Uma vez mais, a questão resume-se à ausência de pensamento sobre o fenómeno taurino no nosso país. A afición lusitana não se distingue por usar a cabeça, e quando se junta é mais para beber uns copos ou distribuir prémios (?) a um lote de «artistas» que agora até inclui emboladores... Com este panorama, só em sonhos se poderá pedir a Telles e a Pegado a fluência discursiva e a solidez argumentativa exibida, por exemplo, por Andrés Amorós, no programa televisivo «Câmara Clara», há uns meses atrás.
Falta massa crítica à tauromaquia em Portugal. O chamado mundillo resume-se a pessoas directamente interessadas no fenómeno, desde ganadeiros a «críticos», alguns dos quais, numa delirante promiscuidade, são igualmente apoderados ou representantes de toureiros. É preciso que o meio se abra ao exterior. Que tente atraír personalidades de outros campos do conhecimento, para o estudo, a reflexão e o debate sobre a Festa, em vez de uma postura «orgulhosamente só», insustentável nos tempos que correm. Ganhará assim o respeito e a credibilidade que tantas vezes lhe faltam.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Filme tauromáquico dos Lumiére na Biblioteca Digital da UNESCO

sexta-feira, 17 de abril de 2009
Passo a citar (IV)

Luís Capucha (Sociologia-Problemas e Práticas, nº 8, 1990)
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Sobre a Maestranza

segunda-feira, 13 de abril de 2009
Simão da Veiga no México

Memória portuguesa do «señor Curro Guillén»
matadores de touros dos alvores do século XIX. Nascido em Utrera, em 1783, Guillén cedo começou a colher êxitos em Madrid e Sevilha, alternando com os diestros mais importantes do seu tempo, entre os quais José Romero e Jerónimo José Cândido. Curiosamente, a carreira de Curro Guillén encontra-se ligada a Portugal, país para onde foi «empurrado» pela invasão de Espanha pelas tropas napoleónicas.
O toureiro terá chegado a Lisboa em 1812, na companhia de outros bons lidadores, como Juan Jiménez El Morenillo, e rapidamente se popularizou, não apenas pelos triunfos nas arenas como pela sua personalidade. «Retratos seus, recordações e peças da sua indumentária vendiam-se em Lisboa a altos preços», conta José María de Cossío («Los Toros», III vol.).
A graça e o garbo do sevilhano, «unidos a uma figura gentil e galharda e a um carácter simpático e alegre», conquistaram-lhe «a simpatia de todas as classes sociais lisboetas, e as aventuras e conquistas amorosas que efectuou foram soadas e comentadas por largo tempo.» Ao fim de dois anos, Curro Guillén pensou voltar a Espanha, mas os portugueses tentaram retê-lo de todos os modos. Segundo Cossío, até as autoridades portuguesas «fizeram dispendiosos esforços e ofereceram-lhe grandes somas para que ficasse mais tempo.» Chegaram a mentir-lhe, dizendo que o rei espanhol Fernando VII pensava em acabar com as corridas de toiros. Apesar destas instâncias, Guillén regressou ao seu país, onde prosseguiu a sua triunfante carreira. Esta veio a terminar a 21 de Maio de 1820, na praça de Ronda, quando um toiro de Cabrera lhe inferiu uma cornada mortal. Para a posteridade ficou um verso, deliciosamente hiperbólico, que traduz a grandeza toureira do sevilhano: «Bien puede decir que ha visto/ lo que en el mundo hay que ver/ el que ha visto matar toros/ al señor Curro Guillén».
sexta-feira, 3 de abril de 2009
O exemplo vem dos Açores

quinta-feira, 26 de março de 2009
Ataque à Marinha
A realização de uma corrida de touros na Marinha Grande desencadeou nova ofensiva dos alegados defensores dos animais. Na Câmara, começaram a chover os e-mails do costume, alertando os imprevidentes autarcas para os «perigos» do espectáculo. 

A estratégia do fascismo animalista é clara. A pressão sobre as autoridades começou por terras onde a Festa não se encontra firmemente implantada, pois os seus responsáveis, em princípio, são mais fáceis de manipular. Depois da proibição das corridas programadas, quererão que essas localidades se declarem «anti-touradas» Obtido um ramalhete de terras «anti-taurinas» considerado satisfatório, terão mais força para avançar para outras zonas e influenciar, inclusivamente, o poder central.
Que ninguém se iluda. A ofensiva não vai parar e só se combate eficazmente com a oposição determinada dos agentes taurinos. Inexplicavelmente, porém, estes limitam-se ao protesto de circunstância. Mais do que nunca, é preciso recordar aos diversos poderes (aos mais distraídos, lembramos que existe uma Associação Nacional de Municípios, que até tem uma secção de municípios com actividade taurina) que o espectáculo taurino é legal e que os aficionados não são criminosos. É o momento de empresários, Sindicato dos Toureiros, associações de forcados, ganadeiros, etc., provarem que o seu propalado amor à Festa ultrapassa os meros interesses pessoais. Ou será que só se vão mexer quando o problema lhes chegar aos bolsos?
quarta-feira, 25 de março de 2009
A única foto da praça do Campo de Santana?

segunda-feira, 23 de março de 2009
«História do Olho» ou a tragédia de Granero em livro

Entre os espectadores que assistiram à morte de Granero encontrava-se o escritor francês Georges Bataille (1897-1962). O dramático sucesso está presente no seu livro «História do Olho», uma obra de um erotismo violento, onde amor e morte, céu e inferno se cruzam e contaminam, colocando o autor ao lado dos grandes escritores libertinos, como Sade ou Masoch. «Campos de análise» de Bataille são, entre outros, «a cosmogonia do desespero, a alucinação acesa e amarga da solidão absoluta», escreve José Carlos González, que em 1988 traduziu a obra para a editora Livros do Brasil. «A 7 de Maio de 1922, La Rosa, Lalanda e Granero deviam tourear na praça de Madrid. Com Belmonte no México, Lalanda e Granero eram os grandes matadores espanhóis»...
sexta-feira, 20 de março de 2009
Dois maestros

quinta-feira, 19 de março de 2009
Viu estas peças? (III)
Viu estas peças? (II)
Viu estas peças? (I)

As imagens são da autoria do fotógrafo Mário Novais e foram publicadas no nº 25/26 da revista «Panorama», em 1945.
quarta-feira, 18 de março de 2009
25 anos de alternativa de António Telles em livro

Se há cavaleiro cuja carreira merecia um trabalho semelhante, é António Ribeiro Telles. Pelos seus méritos, mas também por ser o mais fiel representante de um conceito de lide ameaçado: o toureio a cavalo à portuguesa. Num momento em que as nossas praças assistem a patéticas manifestações de luso-rejoneio, António Telles toureia raivosamente à portuguesa, prosseguindo e honrando a mensagem paterna. Até no simples gesto de actuar de tricórnio -estampa toureira!-se vê o muito que o distingue dos demais. Com os 25 anos de alternativa de António Telles é o próprio toureio português que está de parabéns.
terça-feira, 17 de março de 2009
Juanita Cruz, primeira mulher matadora de touros

Há precisamente 69 anos, doutorava-se na praça mexicana de Fresnillo Juanita Cruz- a primeira mulher a obter a alternativa de matador de touros. Nascida em Madrid, em 1917, começou a tourear em 1932, mas a guerra civil travou-lhe o passo. Radicou-se então na América Latina, onde colheu significativos triunfos. Na posse da alternativa, regressou a Espanha em 1946, para exercer a profissão no seu país. Contudo, uma lei impedia as mulheres de tourearem em solo espanhol, o que truncou irremediavelmente a carreira de Juanita. Ainda como bezerrista, actuou no Campo Pequeno em 11 de Junho de 1933, num festival de variedades taurinas. «A elegante toureira espanhola não teve medo dos garraios e mostrou habilidade nos passes de capote», garantia «O Século».
Rogério e Mário

À esquerda, Rogério Perez, El Terrible Perez, jornalista e crítico taurino; à direita Mário de Sá-Carneiro, poeta; ao centro, Gilberto Rola. A foto, publicada no nº 117/118 da revista «Colóquio/Letras» (Setembro de 1990), data dos primeiros anos do século passado (Sá-Carneiro nasceu em 1890 e suicidou-se em 1916), e mostra que os interesses e as amizades de El Terrible Perez excediam o mundo taurino. No nº 7 da «Contemporânea», revista de artes e letras notável pelo seu grafismo, encontramos um seu «Discurso» num banquete da revista, em que evoca, de passagem, a sua amizade com Sá-Carneiro. Mas Rogério Perez (1890-1979) distinguiu-se sobretudo como crítico de touros, nas colunas do «Diário de Lisboa». E logo aquele «que mais viveu as entranhas do mundo taurino, e mais conhecido se tornou das figuras grandes do seu tempo» (Solilóquio, «Memórias de um bilhete de sol»). Essas figuras foram muitas, desde os Gallos, Rafael e José, a Juan Belmonte, de Gitanillo de Triana a Pepe Luis Vazquez e deste a Manolete. Foi representante em Portugal do rejoneador Antonio Cañero e organizou, em 1933, corridas com touros de morte, no Campo Pequeno. Destacou-se também pelas reportagens que fez em Espanha, antes e durante a guerra civil, ao serviço do «Diário de Lisboa». Rogério Perez reuniu as suas memórias no livro «Meio século a ver touros» (Ed. Marítimo-Colonial, 1945).
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