A imprensa taurina do país vizinho anunciou recentemente o fim de três antigas e famosas ganadarias de Salamanca: Atanásio Fernández, Clairac e Sanchéz Fabrés. A notícia seria sempre de lamentar, mas as considerações que sobre o assunto são feitas em alguns blogues, não podem deixar de inquietar os aficionados. Cito, traduzindo, o que se lê no blog Hasta el rabo todo es toro: "Em cada caso há motivos diferentes: problemas sanitários, económicos ou simplesmente será a lei da vida, esta em que os filhos herdam dos pais parte do genoma, dinheiros e fazendas, mas não a afición desmedida ao touro." No entanto, mais do que os problemas enunciados, a razão última da morte de certas ganadarias será o veto das actuais figuras, que preferem toiros mais fáceis - da linha Juan Pedro Domecq- e que oferecem maiores garantias de êxito. Prossegue o blog: "Como nos tempos do alemão baixinho e com franja, tudo o que não seja da 'raça superior' deve ser exterminado". Cada vez que uma dessas figuras mata um Juan Pedro, "está condenando à morte, por exemplo, a um atanásio num pestilento matadouro de Salamanca". (Foto: Manolete e Atanásio Fernández)
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Coisas que inquietam
A imprensa taurina do país vizinho anunciou recentemente o fim de três antigas e famosas ganadarias de Salamanca: Atanásio Fernández, Clairac e Sanchéz Fabrés. A notícia seria sempre de lamentar, mas as considerações que sobre o assunto são feitas em alguns blogues, não podem deixar de inquietar os aficionados. Cito, traduzindo, o que se lê no blog Hasta el rabo todo es toro: "Em cada caso há motivos diferentes: problemas sanitários, económicos ou simplesmente será a lei da vida, esta em que os filhos herdam dos pais parte do genoma, dinheiros e fazendas, mas não a afición desmedida ao touro." No entanto, mais do que os problemas enunciados, a razão última da morte de certas ganadarias será o veto das actuais figuras, que preferem toiros mais fáceis - da linha Juan Pedro Domecq- e que oferecem maiores garantias de êxito. Prossegue o blog: "Como nos tempos do alemão baixinho e com franja, tudo o que não seja da 'raça superior' deve ser exterminado". Cada vez que uma dessas figuras mata um Juan Pedro, "está condenando à morte, por exemplo, a um atanásio num pestilento matadouro de Salamanca". (Foto: Manolete e Atanásio Fernández)
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Da Rússia, com afición

Chama-se Loky, é pintora e vive em Moscovo. Declara-se encantada com a cultura, a história e as tradições de Espanha, entre elas a corrida de touros, como arte e como espectáculo. Para mostrar como os seus olhos de artista perspectivam o fenómeno taurino, criou o blog Loca un Poco, no qual se podem apreciar algumas magníficas aguarelas. Para ver e desfrutar.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Artista até de bicicleta
sevilhanos do início dos anos 80. E o caso não era para menos: Pepe Luis Vázquez Silva era filho do imenso Sócrates de San Bernardo, um dos mais perfeitos intérpretes do toureio natural, perfumado pelas florituras do duende, que dá fama à capital andaluza. Depois de uma alternativa de sonho - concedida por seu tio Manolo Vázquez, com o apadrinhamento de Curro Romero, em 1981 -, o jovem Pepe Luis não cumpriu as expectativas. Era (é) um toureiro de detalhes, de mão feita para os lentos voos da muleta, e não para a agressividade da estocada. Depois de faenas de arte pura, muitas orelhas se lhe foram por falhar com a espada. Embora não se tenha retirado oficialmente, os contratos foram decaindo. Pepe Luis Vázquez deixou de aparecer nos cartéis, dedicou-se ao ensino, na escola taurina de Sevilha, e a tourear em festivais. A revista «Taurodelta», da empresa que rege a praça de Las Ventas, entrevistou-o no seu último número, revelando um homem de vincada personalidade. Um toureiro de inspiração, sem a capacidade «fuera de lo normal» dos diestros de hoje, que «pegan pases a todos los toros». Toureiro na praça e en la calle, a quem alguém, vendo-o pedalar pelas ruas de Sevilha, disse: «hasta montado en bicicleta tienes arte». (Foto: ambitotoros.blogspot.com)
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Lévi-Strauss e a tauromaquia

O filósofo francês Claude Lévi-Strauss, recentemente falecido, interessou-se pelo fenómeno taurino e reflectiu sobre ele. Xavier Klein, no blog camposyruedos, recorda algumas opiniões do mestre do estruturalismo sobre a matéria. Lévi-Strauss considerava a tauromaquia «um caso de sobrevivência único e atípico», numa sociedade dominada por valores que são tantas vezes a antítese do confronto homem/toiro. Por isso, o filósofo partilhava da opinião daqueles que sublinhavam o apagamento do carácter ritual do toureio e o triunfo da dimensão comercial. Pessimista, temia que, um dia, tudo acabasse numa mascarada, «como os índios que fazem a dança da chuva para agradar aos turistas». As culturas que resistem, salientava, são as que resistem e não transigem quanto aos seus modos de expressão. Essa será a única forma de preservar os valores autênticos do toureio.
terça-feira, 28 de julho de 2009
Da miséria da «crítica» taurina
Não vou falar do jornal nem do blogue oficioso de um cavaleiro tauromáquico e respectiva prole. Apetece-me, isso sim, comentar os comentários dos comentadores da recente Corrida TV do Norte, que a RTP transmitiu domingo à tarde. Em primeiro lugar, para lhes louvar a bondade. Tem com certeza um lugar assegurado no céu quem deixa passar em claro tantos e tão escandalosos atropelos à arte de tourear a cavalo à portuguesa. Toques nas montadas, que foram às dezenas? Simples expressão do atrevimento dos nossos jovens cavaleiros, que gostam de arriscar... Voltas e voltaretas à la Ventura? Reflexo do espírito inovador dos nossos rapazes (e raparigas)... Cites apalhaçados e «graxa» ao público? Poder de comunicação com as bancadas... Onde está a dimensão pedagógica da crítica? Quem pode aprender com tais mestres?
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Sobre o temple e a pega
No vocabulário taurino, a palavra temple é uma das mais usadas. Enquanto conceito, é também muito discutido. Diz-se muitas vezes que o temple consiste em ajustar o movimento do engano – capote ou muleta – à velocidade da investida do touro. Será isso, mas não apenas isso.Um dicionário de língua espanhola diz-nos que templar significa «temperar», «moderar», «suavizar», «amenizar». Quem templa, ameniza ou modera qualquer coisa. No caso do toureio, a investida do cornúpeto. O toureiro que templa suaviza, molda o ímpeto do touro, tornando a lide possível. Como se diz muitas vezes, ensina-o a investir. E como se consegue isso? Em primeiro lugar, e aqui entra o que acima se referiu, ajustando a deslocação da muleta ao movimento do touro, evitando os indesejáveis enganchones. Mas é óbvio que isso é insuficiente para lhe templar, moderar ou suavizar a investida. Para tal, o toureiro deve ministrar os passes que o adversário requer. Deve dar-lhe mais ou menos passes ‘de castigo’, ter atenção à altura a que coloca o engano, à circularidade do passe, etc.. E tudo isto deve ser feito de acordo com as regras: o diestro deve citar, embarcar o adversário no engano, correr a mão, rematar e deixar o touro pronto para outro passe.
Intimamente ligado com o temple, temos o mando. Sem templar não se manda e sem mandar não se templa. E uma e outra coisa não se conseguem sem parar o touro. Parar, templar e mandar são os três vértices inseparáveis do triângulo do toureio.
Vêm esta considerações a propósito de ultimamente se ouvir dizer, em especial a alguns comentadores televisivos, que os forcados templam. E porquê? Porque, segundo as luminárias do pequeno écran, quando o touro investe e o forcado da cara recua, este adapta a sua velocidade à acometida do animal. E pronto, isso é suficiente para existir temple.
Se o corpo do forcado se equiparar ao capote ou à muleta e o temple se resumir à singela noção apresentada em primeiro lugar, até poderia existir. Mas acontece que as coisas são muito mais complexas do que pensam os amáveis comentadores.
O forcado não templa, isto é, não tempera, não suaviza, não modera a investida do touro, porque, pura e simplesmente, não tem condições para tal. Quando chega à pega, o touro já se encontra no estado de aplomado, já não há mais nada para ‘temperar’. E mesmo que houvesse, não está nas mãos do forcado controlar a acometida do touro. O forcado obedece, moldando a forma como recua ao ímpeto do touro. O que já é fazer muito, e merece o nosso aplauso.
Por tudo isto, não venham os senhores comentadores de hoje com argumentos que nem os mais ilustrados críticos taurinos do passado – um Leopoldo Nunes, um Cabral Valente, um Saraiva Lima, um Nizza da Silva – nem os mais acérrimos defensores da corrida à portuguesa se atreveram a esgrimir. Porque sabiam do que falavam, ao contrário dos de hoje.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
A última oportunidade?
Pedrito de Portugal actuará no próximo domingo em Badajoz, substituindo El Fundi, colhido recentemente. Como companheiros de cartel, as duas maiores figuras do momento: José Tomás e Miguel Ángel Perera. À primeira vista, Pedrito não tem uma tarefa fácil. Pouco placeado, como se viu na recente actuação no Campo Pequeno, o matador português pode ver-se em palpos de aranha com os touros de Jandilla. No entanto, pode beneficiar do seu estatuto de outsider. Ninguém duvida que no domingo todas as atenções estarão concentradas no duelo José Tomás/Perera. Pedrito é o terceiro homem, o que entrou no cartel à última hora, aquele a quem o público espanhol pedirá menos. Por isso, uma boa actuação do português pode surpreender, levando-o a um relançamento de carreira em que, verdade seja dita, já poucos acreditam. Sorte para domingo é o que se deseja.
Assinar:
Postagens (Atom)
