quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Guntër Schwaiger apresenta o documentário «Arena»

Foi recentemente apresentado o documentário Arena,
que retrata a saga de um punhado de jovens novilheiros que aspiram a ser figuras do toureio. Realizada pelo austríaco Günter Schwaiger, a película é também uma viagem por Espanha, França, Portugal e Colômbia. Günter Schwaiger dá-nos a conhecer melhor a tauromaquia nesses países, as escolas de toureio e a gente dos toiros. Os novilheiros intervenientes são Juan Guerrero, Juan Duque, Daniel Menes El Dani, Iluminado Menes, Mariano Aumente El Campero e Jesus Mejías El Gallo. Intervém também alunos da Escola de Tauromaquia de Madrid, assim como os matadores José Tomás, Morante de la Puebla, Uceda Leal, Sebastián Castella e Luis Bolívar. Com este documentário, Günter Schwaiger pretendeu aproximar-se da complexidade do fenómeno tauromáquico, «cujas raízes são tão antigas como a civilização ocidental». A obra estreou em Espanha anteontem, 19 de Janeiro, e estreará proximamente na Alemanha, França e Suíça. Esperemos vê-la também em Portugal.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Os touros de Capton


Gilles Capton é um pintor francês que reivindica “a herança dos antigos mestres e o seu ideal de beleza”. Os touros e a sua energia vitalista e selvagem constituem uma das temáticas preferidas deste artista de Orleães.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

De purísima y oro

Joaquín Sabina é um dos mais originais cantores do país vizinho. Nascido em Úbeda, em 1949, gravou o seu primeiro disco em 1978, com o título «Inventario». Desde então lançou quase uma vintena de obras discográficas, nas quais se revelou um cantautor -cantor e letrista- de alto quilate. Romântico, irónico, atento às coisas do quotidiano, Joaquín Sabina é também um grande aficionado, partidário incondicional de José Tomás. Ao maestro de Galapagar e a outros maestros -Antoñete, Curro Romero- dedicou poemas que tanto nos emocionam como nos fazem sorrir. Ouça-se e leia-se «De purísima y oro», sobre Manolete e o seu tempo. Na voz de Sabina contemplamos um retrato a preto e branco da Espanha do pós-guerra, com Manolete e a sua noiva Lupe Sino em primeiro plano. Ao fundo, o som duma guitarra portuguesa.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

A triste história do sobrinho-neto de Schopenhauer

Os factos são relatados por El Zubi, no blog Mano a Mano: Félix Guzmán, um novilheiro mexicano que foi promessa do toureio no início dos anos 40, era sobrinho-neto do célebre filósofo alemão Arthur Schopenhauer. O fim trágico do toureiro -morto pelo novilho Reventón, em 30 de Maio de 1943 - parece confirmar o pessimismo filosófico do seu ilustre antepassado, que escreveu: «A felicidade não passa de um sonho, e a dor é real».
De seu verdadeiro nome Felice Kutmann Schopenhauer, o novilheiro nasceu em Mixcoac, em 1923, filho de pai italiano e mãe alemã. Para fugir à pobreza que marcou a sua infância, Félix sonha ser toureiro. Depois de uma via sacra pelas capeas, lidando gado de duvidosas procedências, veste-se de luces pela primeira vez em 1939, em Tehuacán. Mas o seu nome só começou a soar com força em 1941, depois duma actuação triunfal na praça da Colónia de la Condesa, em que cortou orelhas e rabo. O público baptizou-o como El Torero Niño, pelos seus traços quase infantis.
Guzmán era valente, mas a sua inexperiência levava-o a ser facilmente colhido. «Toureava de forma impresionante, com muito valor, mas poucos recursos, pelo que o seu toureio era emocionante e angustioso», lê-se no Mano a Mano. «A sua arte era dramática, com centelhas de pureza clássica, era uma autêntica bomba nas mãos de um rapazinho indouto, irresponsável e arriscado.»
A 30 de Maio de 1943, foi anunciado na praça El Toreo da capital mexicana, com José Luis Vázquez e Arturo Fregoso, frente a novilhos de Heriberto Rodríguez. Na lide do seu segundo, de nome Reventón, El Torero Niño é colhido ao terceiro passe. A ferida na virilha é grave, mas Félix continua a tourear, até despachar o adversário. Segundo as crónicas, foi para a enfermaria pelo seu próprio pé. Dois dias depois sobrevém a tragédia: declara-se-lhe uma gangrena, que acaba por matá-lo a 2 de Junho de 1943. Ao que parece, terá sido vítima de negligência médica, pois a autópsia descobriu restos da taleguilla no interior da ferida.
Para dar uma nota ainda mais triste ao acontecimento, o filho que Félix esperava da sua mulher, Carmen Rovira, nasceu morto. E a sua mãe, filha de uma irmão de Schopenhauer, enlouqueceu. «A felicidade não passa de um sonho, e a dor é real».

Arles debate o movimento antitaurino

Realiza-se a 30 de Janeiro, na cidade francesa de Arles, uma conferência intitulada «O movimento antitaurino - raízes e questões do animalismo contemporâneo», por iniciativa da Societé d'Etudes et de Recherches sur les Tauromachies Européennes (SUERTE). Coordenada por Annie Maillis e Francis Wolff, a conferência propõe-se reflectir sobre a nova argumentação contra as corridas de toiros. «A corrida sempre teve os seus detractores», lê-se no texto de apresentação do acto. O que é novo são os argumentos em nome da defesa dos animais. «Essa defesa é por vezes expressão de uma sensibilidade respeitável: mas ela formula-se muitas vezes em argumentos pretensamente 'ecológicos' ou juízos moralizadores baseados no ddeesconhecimento da ética tauromáquica e da natureza do touro de lide». Com efeito, o animalismo contemporâneo consiste «não em ter uma conduta respeitosa para com os animais, mas em confundi-los a todos com inofensivos animais de companhia, transformados em puros objectos fetichizados. Pode dizer-se que quanto mais os animais são amados, menos são conhecidos». Eis algumas perguntas a que a conferência tentará responder: ««Que aspectos históricos, míticos e simbólicos da animalidade se ocultam nos movimentos animalistas, cada vez mais numerosos e diversos? O animalismo é um 'progresso moral' ou comporta riscos éticos que é necessário avaliar? Porque é que a defesa da corrida é também uma defesa da natureza humana?» O programa do evento pode ser consultado aqui.

domingo, 10 de janeiro de 2010

As teias ocultas do antitaurinismo

Leonardo Anselmi Rafaelli. Segundo o site Mundotoro,
é este o nome do promotor da Iniciativa Legislativa Popular que põe em causa a continuação das corridas de toiros na Catalunha. Rafaelli é uma personagem no mínimo intrigante. Argentino, residente em Barcelona há oito anos, lidera a plataforma anti-taurina PROU e é adepto do veganismo - a corrente animalista mais radical. Diz-se ainda assessor de mais de cem (!) políticos catalães e criador de vinte associações animalistas, para quem a abolição da festa de toiros é uma prioridade. Mas há mais. Profissionalmente, o homem é gerente de projectos no sector da biotecnologia. Na Internet assegura que o seu objectivo profissional «é conseguir uma harmonia quase perfeita» entre a sua «capacidade analítica» e a sua «critividade»... Num editorial inquietante, o Mundotoro interroga-se sobre as relações das organizações antitaurinas com as grandes multinacionais do ramo animal, cujos negócio movimentam muitos milhões. (Imagem: Aníbal Alcino)

sábado, 9 de janeiro de 2010

Quando as grandes empresas mexicanas disputavam Manuel dos Santos

A 10 de Janeiro de 1948, passam agora 52 anos, o «Século Ilustrado» relatava a disputa entre os empresários das praças Monumental e El Toreo - ambas na Cidade do México- por Manuel dos Santos. Escrevia o crítico Pepe Luís que Manuel dos Santos era «um destacado sintoma na ardorosa luta de empresários que utilizaram os meios
extremos para incluir no elenco das suas corridas o valioso toureiro ribatejano. (...) Houvera discussão acesa em duas reuniões da União de Matadores e Novilheiro Mexicanos; analisaram o assunto as comissões de Honor y Justicia de Hacienda; os advogados das empresas deram também o seu parecer; enfim, por pouco que não foi convocada a assembleia geral da ONU para deliberar sobre o caso do toureiro português que acabou por ser considerado artista contratado da El Toreo. O sr. Vallés, da Monumental, derrotado na disputa, movimentou a seu favor alguns orgãos da imprensa que atacaram desabridamente Manuel dos Santos, e outros colocaram-se a favor deste, resultando de toda esta agitação um fantástico reclame ao nosso compatriota». Porém, as coisas compuseram-se e o diferendo terminou com um almoço em que estiveram presentes Vallés, Manuel dos Santos e o seu mentor Patrício Cecílio. «Interessante tudo isto na verdade», conclui Pepe Luís. «Agora só falta um telegrama anunciando o casamento relâmpago de Manuel com a filha de algum abastado proprietário de Ganajuato, Zacatecas ou Tlaxcala».
Nesse início de 1948, Manuel dos Santos encontrava-se numa situação curiosa. Tinha recebido a alternativa em 14 de Dezembro de 1947, no México, das mãos de Armillita Chico. Contudo, nesse mesmo dia sofreu uma violenta cornada, infligida pelo touro da alternativa, Vanidoso, da ganadaria de Pastejé, que o pôs às portas da morte. Como a gravidade da colhida o impediu de estoquear Vanidoso, Manuel dos Santos renunciou ao doutoramento mexicano, e voltou a actuar como novilheiro. O valoroso artista goleganense viria a tornar-se matador a 15 de Agosto de 1948, na Maestranza de Sevilha, apadrinhado por Chicuelo.