quinta-feira, 23 de abril de 2009

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Filme tauromáquico dos Lumiére na Biblioteca Digital da UNESCO

A Biblioteca Digital Mundial da UNESCO, ontem inaugurada, disponibiliza gratuitamente um conjunto de fontes documentais provenientes de países e culturas de todo o mundo. No acervo da Biblioteca encontra-se uma película dos irmãos Lumiére, com cerca de sete minutos, que retrata as procissões da Semana Santa em Sevilha e uma corrida de touros. O filme terá sido produzido em 1898/1899. Um dos matadores actuantes parece ser o famoso Rafael Guerra Guerrita. Aceda clicando aqui.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Passo a citar (IV)

Na «tauromaquia, aquilo que se acusa de 'barbárie' não é mais do que a representação directa e material de categorias simbólicas, como a violência e a morte, que todas as culturas tratam de uma ou outra maneira. (...) Que não é, apenas, uma excrescência do passado, embora tenha tantos anos como a pintura e a música e mais do que o teatro, prova-o o facto de continuar em plena transformação.»

Luís Capucha (Sociologia-Problemas e Práticas, nº 8, 1990)

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Sobre a Maestranza

Até ao próximo dia 3 de Maio, a feira de Sevilha vai animar a arena de uma das mais belas praças de touros do mundo: a Real Maestranza. A propósito deste coso, recorde-se que o seu nome deriva da instituição a que pertence: a Real Maestranza de Caballeria de Sevilha. Fundada em 1670, a Real Maestranza é uma corporação que se destinou inicialmente à preparação militar dos nobres sevilhanos. Pretendia-se deste modo formar oficiais para o exército, que soubessem cavalgar e manejar as armas com destreza. Em 1730, a instituição recebeu do rei Filipe V o privilégio de organizar corridas de touros, o que a levou a construir a praça que hoje se conhece como Real Maestranza. O resultado foi um belíssimo edifício, de arquitectura tardo-barroca. Pormenor importante: o conjunto escultórico que encima o chamado Palco Real, a tribuna de onde os reis assistem às corridas, é da autoria do escultor português Caetano da Costa, nascido em 1711 e emigrado na capital andaluza.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Simão da Veiga no México

O cavaleiro Simão da Veiga Júnior obteve significativos triunfos além-fronteiras. Em 1939 deslocou-se ao México, onde toureou com as maiores figuras daquele país. O cartel que se reproduz (obtido em laaldeadetauro.blogspot.com) data de 23 de Abril de 1939 e anuncia Simão na praça de San Marcos, em Aguascalientes. Com ele fizeram o paseíllo os matadores Armillita, Silvério Perez e Eduardo Solorzano. Os touros pertenciam à ganadaria de Peñuelas.

Memória portuguesa do «señor Curro Guillén»

Francisco Herrera Rodríguez, mais conhecido por Curro Guillén, foi um dos mais destacados
matadores de touros dos alvores do século XIX. Nascido em Utrera, em 1783, Guillén cedo começou a colher êxitos em Madrid e Sevilha, alternando com os diestros mais importantes do seu tempo, entre os quais José Romero e Jerónimo José Cândido. Curiosamente, a carreira de Curro Guillén encontra-se ligada a Portugal, país para onde foi «empurrado» pela invasão de Espanha pelas tropas napoleónicas.
O toureiro terá chegado a Lisboa em 1812, na companhia de outros bons lidadores, como Juan Jiménez El Morenillo, e rapidamente se popularizou, não apenas pelos triunfos nas arenas como pela sua personalidade. «Retratos seus, recordações e peças da sua indumentária vendiam-se em Lisboa a altos preços», conta José María de Cossío («Los Toros», III vol.).
A graça e o garbo do sevilhano, «unidos a uma figura gentil e galharda e a um carácter simpático e alegre», conquistaram-lhe «a simpatia de todas as classes sociais lisboetas, e as aventuras e conquistas amorosas que efectuou foram soadas e comentadas por largo tempo.» Ao fim de dois anos, Curro Guillén pensou voltar a Espanha, mas os portugueses tentaram retê-lo de todos os modos. Segundo Cossío, até as autoridades portuguesas «fizeram dispendiosos esforços e ofereceram-lhe grandes somas para que ficasse mais tempo.» Chegaram a mentir-lhe, dizendo que o rei espanhol Fernando VII pensava em acabar com as corridas de toiros. Apesar destas instâncias, Guillén regressou ao seu país, onde prosseguiu a sua triunfante carreira. Esta veio a terminar a 21 de Maio de 1820, na praça de Ronda, quando um toiro de Cabrera lhe inferiu uma cornada mortal. Para a posteridade ficou um verso, deliciosamente hiperbólico, que traduz a grandeza toureira do sevilhano: «Bien puede decir que ha visto/ lo que en el mundo hay que ver/ el que ha visto matar toros/ al señor Curro Guillén».

sexta-feira, 3 de abril de 2009

O exemplo vem dos Açores

Por iniciativa da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, vai realizar-se a 4 de Abril, no auditório da Universidade dos Açores, uma conferência intitulada «Importância da Sorte de Varas». Intervirão José Carlos Arévalo, director da revista «6Toros6», João Folque de Mendonça, ganadeiro, Rafael Trancas, picador, António Castañares, crítico da «6Toros6», e Gomez Escorial, matador de toiros. Antes da conferência, efectuar-se-á uma tenta na arena da Monumental Ilha Terceira. Depois da organização do magnífico Fórum Mundial da Cultura Taurina, a Tertúlia Tauromáquica Terceirense dá novas mostras de vitalidade e de sintonia com os valores universais da Festa de toiros, numa altura em que se debate o retorno da sorte de varas aos Açores. Quando teremos por cá, pelo «continente» da prosápia e do analfabetismo taurino, dos brandos costumes e das tricas fúteis, coragem para discutir semelhante tema?