domingo, 4 de julho de 2010
Dois novos sites: Cultoro e Toros para Niños
A Web é uma caixa de surpresas. Uma das últimas -e das melhores!- foi a descoberta de Cultoro, um novo site de conteúdo e grafismo super-interessantes. Cultoro define-se, e traduzo, como «um grande contentor que alberga no seu interior uma grande variedade de pequenas caixas, a modo de secções, nas quais se encontram diferentes maneiras de viver o Touro, pretendendo cuidar a linguagem visual e aproveitando as possibilidades que nos oferecem as novas tecnologias.»
Cultoro apresenta secções de entrevistas, opinião, reportagens e um espaço fotográfico denominado Campo de Touros, dedicado ao ambiente em que o touro bravo nasce e se desenvolve. Duas dessas reportagens foram efectuadas em Portugal. Intitulam-se «Paixão Taurina» e captam belas imagens do ambiente da Herdade da Barroca d'Alva, de José Samuel Lupi, e das ganadarias de Palha, Ribeiro Telles e Herdeiros do Conde de Cabral.
Outras «caixas» do site são a Galeria, onde se podem contemplar trabalhos de artes plásticas inspirados no toureiro, e o «Rincón del Neófito», que pretende familiarizar-nos com «os conceitos mais básicos da tauromaquia», desde a técnica do toureio até aos caracteres físicos do toiro de lide.
Agregado ao Cultoro, embora num site autónomo, temos o interessantíssimo Toros para Niños. Trata-se de um projecto pioneiro que, como o nome indica, fala sobre toiros e tauromaquia às crianças. Numa linguagem acessível, com a ajuda de coloridas e simpáticas ilustrações, explica-se aos mais pequenos a importância do toiro, do cavalo, da ganadaria, do toureiro e do toureio. Tudo isto complementado com jogos, descargas grátis e uma loja virtual. Algumas das funcionalidades ainda não estão operativas, mas pela amostra ficamos desde já com água na boca.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
O toureiro e o rocker
Zeca do Rock, nome artístico do cidadão José das Dores, foi um dos primeiros rockers portugueses e uma figura popular entre a juventude dos anos 60. O seu primeiro disco, gravado em 1961, incluía a faixa «O Sansão Foi Enganado», o primeiro tema português a ter um «yeah» - sinal de acompanhamento do que lá por fora se cantava... O que faz Zeca do Rock ao lado de Manuel dos Santos? Confesso que não sei. O blog Ié-Ié, de onde retirei a foto, diz que esta terá sido tirada por volta de 1962, mas não adianta pormenores. Talvez Manuel dos Santos e Zeca do Rock estejam num acto relacionado com os concursos dos Reis do Espectáculo, muito populares nesse tempo, em que os nomes do toureiro e do rocker costumavam figurar.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Mário Cabré: catalão, toureiro, actor e poeta
Assinala-se a 1 de Julho o vigésimo aniversário da morte do catalão Mário Cabré, que além de matador de toiros foi actor de teatro e de cinema -participou em cerca de vinte películas-, locutor de televisão e poeta de apreciável obra. Mário Cabré Esteve nasceu em Barcelona, em 6 de Janeiro de 1916, no seio de uma família de artistas teatrais. A falta de antecedentes taurinos não foi óbice ao nascimento de uma afición que o leva a lançar-se nas arenas em 1934. No ano seguinte, a 23 de Setembro, toureira pela primeira vez com picadores, na Monumental de Barcelona, ao lado de Silvério Pérez e Rafael Ortega Gallito. Passada a guerra civil, estreia-se em Madrid, a 10 de Agosto de 1941, com Pepete de Triana, López Lago e José Alcántara. 
Os primeiros triunfos sonantes chegam na temporada de 1943, na qual toureou uma vintena de novilhadas. Pronto para a alternativa, doutorou-se na Maestranza de Sevilha, tendo como padrinho Domingo Ortega, que lhe cedeu o toiro Negociante, da ganadaria de Curro Chica, e testemunha El Estudiante. A carreira de Mário Cabré como matador, que se prolongou até 1957, teve altos e baixos. Apesar das suas qualidades - toureava magnificamente de capa, em verónicas lentas, com as mãos muito baixas-, nunca foi diestro de muitas corridas. Talvez porque os seus interesses artísticos se repartiam por diversas áreas. Entre 1947 e 1958, Cabré entrou em perto de uma vintena de filmes, entre os quais «Pandora and the Flying Dutchman» (em Portugal, «Pandora e o Holandês Voador»), em que contracenou com Ava Gardner e James Mason. Como poeta, publicou diversas obras: «Dietário Poético», «Danza Mortal», «Oda a Gala-Salvador Dalí» e «Canto sín Sosiego». Mário Cabré, catalão e artista multifacetado, faleceu na cidade que o viu nascer, em 1 de Julho de 1990. Se ainda pertencesse ao mundo dos vivos, quem duvida que a sua voz se juntaria aos protestos pela iníqua suspensão da Festa na sua Barcelona?

Os primeiros triunfos sonantes chegam na temporada de 1943, na qual toureou uma vintena de novilhadas. Pronto para a alternativa, doutorou-se na Maestranza de Sevilha, tendo como padrinho Domingo Ortega, que lhe cedeu o toiro Negociante, da ganadaria de Curro Chica, e testemunha El Estudiante. A carreira de Mário Cabré como matador, que se prolongou até 1957, teve altos e baixos. Apesar das suas qualidades - toureava magnificamente de capa, em verónicas lentas, com as mãos muito baixas-, nunca foi diestro de muitas corridas. Talvez porque os seus interesses artísticos se repartiam por diversas áreas. Entre 1947 e 1958, Cabré entrou em perto de uma vintena de filmes, entre os quais «Pandora and the Flying Dutchman» (em Portugal, «Pandora e o Holandês Voador»), em que contracenou com Ava Gardner e James Mason. Como poeta, publicou diversas obras: «Dietário Poético», «Danza Mortal», «Oda a Gala-Salvador Dalí» e «Canto sín Sosiego». Mário Cabré, catalão e artista multifacetado, faleceu na cidade que o viu nascer, em 1 de Julho de 1990. Se ainda pertencesse ao mundo dos vivos, quem duvida que a sua voz se juntaria aos protestos pela iníqua suspensão da Festa na sua Barcelona?
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Lembranças do motorista de Manolete
O toureiro é um profissional itinerante. A sua actividade exerce-se em diferentes praças, muitas vezes separadas por longas distâncias. Como tal, para os toureiros, ter bons motoristas é tão importante como ter bons bandarilheiros. Nos milhares de quilómetros palmilhados pelas estradas, o homem do volante tem nas mãos a vida do seu maestro e acompanhantes, com os quais partilha os momentos de felicidade e de angústia.
Em 1958, a extinta revista «El Ruedo» publicou uma entrevista com o motorista do célebre Manuel Rodríguez Sánchez Manolete, de seu nome António Miguel Yedero, reproduzida pelo blog Aula Taurina de Granada.
O entrevistado confirma que Manolete era um homem taciturno e formal. «Falava muito pouco. (...) Falava-me com todo o respeito, o que me surpreendeu, porque eu tinha outra ideia dos toureiros.» Porém, Manolete também era capaz de rir a bandeiras despregadas com as graças dos seus amigos Carnicerito de Málaga e Curro de Villacusa.
Yedero começou por conduzir um Hispano-Suiza, comprado ao matador António Márquez. Depois Manolete comprou um carro mais moderno, o famoso Buick azul que a Espanha inteira conhecia. As viagens quase não lhes permitiam respirar. Após a corrida, o matador e a quadrilha tomavam uma refeição rápida e punham-se a caminho sem mais demoras. O trajecto mais longo que efectuaram foi entre Barcelona e Zafra, num total de 1120 quilómetros. Na estrada, os toureiros dormiam. Yedero era «alimentado» por Chimo, moço de espadas de Manolete, com café, conhaque e charutos...
Na temporada de 1947, a de Linares, Manolete «já não queria tourear». Mas «o seu pundonor, a sua vergüenza e a sua responsabilidade fizeram-no ceder à pressão das empresas». Após a colhida, o moço de espadas Chimo pediu a Yedero que fosse ao hotel buscar as estampas religiosas que acompanhavam Manolete. O motorista assim fez, mas já nada podia salvar o diestro da fatal cornada infligida por Islero. (Na imagem, Manolete assina autógrafos no seu Buick. Ao fundo, o apoderado Camará)
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Club Cocherito de Bilbao celebra centenário
Incluído na Semana de Cultura Tauromáquica, realiza-se em Vila Franca de Xira, no próximo dia 30 de Junho, um colóquio sobre o centenário do clube taurino Cocherito de Bilbao, que este ano se assinala. A sessão, que terá lugar no Clube Taurino Vilafranquense, celebra uma das mais activas e prestigiadas associações taurinas do país vizinho.
Algumas palavras sobre o seu patrono, o matador de toiros Cocherito de Bilbao. Cástor Jaureguibeitia Ibarra, assim se chamava, nasceu em 20 de Dezembro de 1876, em Bilbau. Ao longo da sua carreira participou em 616 festejos, nos quais matou 1668 hastados, em arenas de Espanha, Portugal, França, México e Perú. Toureiro de fibra e de toiros duros, Cocherito matou 43 corridas de Miura, 21 de Veragua e 20 de Félix Urcola, além de Murube, Guadalest, Pablo Romero e Parladé.
A imagem que se reproduz documenta uma actuação de Cocherito (terceiro a contar da esquerda) no Campo Pequeno, em 24 de Abril de 1910. Além do espada bilbaíno tourearam nessa tarde o seu compatriota Saleri e os cavaleiros José Casimiro e Eduardo Macedo.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Conhecer melhor Jaime Ostos
O matador Jaime Ostos (Écija, 1933) foi figura destacada do toureio na década de 1960. Entrevistado na última edição da revista «Taurodelta», Jaime Ostos recorda aspectos interessantes da sua carreira, do toureio e dos toureiros do seu tempo. Destaque para um famoso brinde, frente às câmaras da televisão, feito ao taquígrafo pessoal do generalíssimo Franco...
domingo, 13 de junho de 2010
Passo a citar (XI)
«O momento da verdade, da execução da sorte suprema, faz a grande diferença. (...) A morte do toiro é o culminar de tudo o que antes com ele se faz. (...) Por muito meritória ou bela que tenha sido a faena, da estocada fulminante depende o verdadeiro e autêntico triunfo. Quem não mata não triunfa, por muito bem que antes tenha toureado. (...) Em Portugal não se matam os toiros. Daí, a subjectividade da nossa Festa.»
João Queiroz («Novo Burladero», nº 259, Junho de 2010)
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