Anuncia-se uma alternativa do cavaleiro Manuel Lupi em Badajoz, concedida pelo rejoneador Pablo Hermoso de Mendoza. Estranho... Mas estão Lupi não foi alternativado no Campo Pequeno, pelo seu pai, no dia 8 de Maio de 2005? É uma «alternativa» entre aspas, diz-me alguém, uma coisa simbólica, estás a ver? Até é simpático... Pois é. Mas até eu, a quem os nacionalismos arrefecem mais do que aquecem, vejo na notícia, a confirmar-se, mais uma concessão dos nossos marialvas aos colegas rejoneadores. Então se Portugal é a pátria do toureio a cavalo, se dantes eram os espanhóis que procuravam legitimar-se entre nós, quando o rejoneio no país vizinho não passava do número del caballito, agora somos nós que lá vamos alternativar-nos? Mesmo entre aspas, mesmo num gesto simbólico? Que S. João Núncio nos valha!
quinta-feira, 30 de abril de 2009
«Alternativa» em Badajoz?
Anuncia-se uma alternativa do cavaleiro Manuel Lupi em Badajoz, concedida pelo rejoneador Pablo Hermoso de Mendoza. Estranho... Mas estão Lupi não foi alternativado no Campo Pequeno, pelo seu pai, no dia 8 de Maio de 2005? É uma «alternativa» entre aspas, diz-me alguém, uma coisa simbólica, estás a ver? Até é simpático... Pois é. Mas até eu, a quem os nacionalismos arrefecem mais do que aquecem, vejo na notícia, a confirmar-se, mais uma concessão dos nossos marialvas aos colegas rejoneadores. Então se Portugal é a pátria do toureio a cavalo, se dantes eram os espanhóis que procuravam legitimar-se entre nós, quando o rejoneio no país vizinho não passava do número del caballito, agora somos nós que lá vamos alternativar-nos? Mesmo entre aspas, mesmo num gesto simbólico? Que S. João Núncio nos valha!
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Em defesa da Festa (I)
Nos últimos 20/30 anos, o Mundo alterou-se profundamente. As ideologias políticas, que dominaram grande parte do século XX, esbatem-se. Os partidos perdem conteúdo ideológico e as diferenças entre esquerda e direita atenuam-se. As formações partidárias «clássicas» convergem para o centro do espectro político, evitam temas arriscados («fracturantes») e cultivam o discurso politicamente correcto. Apesar destas operações de restyling, os cidadãos mostram-se desiludidos com a praxis partidária e aproximam-se de outro tipo de organizações, com origem, muitas vezes, em movimentos da sociedade civil. Estes novos agrupamentos, mais próximos dos problemas e das necessidades do cidadão comum, introduzem novos temas na agenda política. Falamos de questões tão diversas como a ecologia, a defesa do meio ambiente, a protecção dos animais e a luta contra a extinção das espécies, os direitos de cidadania, a igualdade de direitos, o combate contra as várias formas de discriminação, etc..No quotidiano, estas teorias traduzem-se em novos estilos de vida. Promovem-se os comportamentos «saudáveis», denunciam-se os malefícios do tabaco e de certos alimentos, difundem-se as virtudes das dietas, do exercício físico e da prática desportiva. O conceito de juventude é hipervalorizado: antes de tudo, interessa ser, ou parecer, jovem. A difusão deste caldo de cultura é facilitada pelo aparecimento das novas tecnologias da comunicação, nomeadamente da Internet. O gigantesco incremento das capacidades comunicacionais transforma em realidade o sonho de McLuhan: o universo é agora a Aldeia Global. (Continua)
terça-feira, 28 de abril de 2009
Chega de carolice, mas...
Diogo Palha, no blogue Tauromania, manifesta-se contra a carolice que continua a dominar a defesa do toureio em Portugal. Apenas uma nota: segundo Palha, os anti-taurinos são «extremistas urbano-depressivos mascarados de pseudo-intelectuais modernos e evoluídos»; e a comunicação social «está pejada de pseudo-intelectuais que também pensam pouco embora se arvorem em modernos e evoluídos.» Gostava de recordar que tem sido o investimento dos anti-taurinos junto dos intelectuais ou pseudo-intelectuais que lhes tem dado a notoriedade que possuem. Em contrapartida, os taurinos portugueses (porque são muito marialvas?) não querem nada com «intelectualices» e continuam a achar que a cabeça serve para pôr o tricórnio ou o barrete e pouco mais. O resultado está à vista.
sábado, 25 de abril de 2009
Passo a citar (V)
«Pessoalmente, assistir a uma corrida de touros é em si, uma actividade tão cultural como ir ao teatro e à ópera. Os touros são uma escola de tolerância, de respeito, mas também de exigência. Suscitam inquietação, entusiasmo, emoção. Ensinam a aceitar a desilusão, a contemplar o fracasso e o triunfo como duas faces da própria vida.»Araceli Guillaume (Revista Taurodelta, nº 11)
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Que diferença!
Não vi mais do que vinte minutos do programa «Aqui e Agora» de ontem, sobre direitos dos animais. Mas o que observei deu para adivinhar o resultado do debate, que alguns blogues, hoje, confirmaram. A argumentação fria, racional, do «animalista» e «vegan» Miguel Moutinho, a maior clareza na exposição das ideias e um treino superior neste género de debates, parecem ter levado a melhor, uma vez mais, sobre o discurso terra-a-terra dos pró-taurinos: um cavaleiro, João Telles, e um empresário ex-forcado, Carlos Pegado, nitidamente com pouca «estaleca» para aquilo.Quem poderá defender eficazmente os pontos de vista dos aficionados? Não sei. Mas duma coisa tenho a certeza: debates deste género têm que ser travados com argumentos mais elevados (éticos, filosóficos), que nitidamente escapam à grande maioria dos profissionais do toureio e dos paupérrimos críticos da nossa praça.
Uma vez mais, a questão resume-se à ausência de pensamento sobre o fenómeno taurino no nosso país. A afición lusitana não se distingue por usar a cabeça, e quando se junta é mais para beber uns copos ou distribuir prémios (?) a um lote de «artistas» que agora até inclui emboladores... Com este panorama, só em sonhos se poderá pedir a Telles e a Pegado a fluência discursiva e a solidez argumentativa exibida, por exemplo, por Andrés Amorós, no programa televisivo «Câmara Clara», há uns meses atrás.
Falta massa crítica à tauromaquia em Portugal. O chamado mundillo resume-se a pessoas directamente interessadas no fenómeno, desde ganadeiros a «críticos», alguns dos quais, numa delirante promiscuidade, são igualmente apoderados ou representantes de toureiros. É preciso que o meio se abra ao exterior. Que tente atraír personalidades de outros campos do conhecimento, para o estudo, a reflexão e o debate sobre a Festa, em vez de uma postura «orgulhosamente só», insustentável nos tempos que correm. Ganhará assim o respeito e a credibilidade que tantas vezes lhe faltam.
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