segunda-feira, 23 de março de 2009

«História do Olho» ou a tragédia de Granero em livro

Manuel Granero foi uma das grandes esperanças do toureio dos anos 20. Pelas suas qualidades, o diestro valenciano era visto como o mais sério candidato ao trono deixado vago por Joselito, após a sua trágica morte em Talavera de la Reina. Com Chicuelo, Marcial Lalanda e outros, Granero traçava a nova linha do toureio, iniciada por Belmonte e confirmada por Joselito. Mas a fatalidade não lhe permitiu voar alto. A 7 de Maio de 1922, em Madrid, Granero é ferido mortalmente pelo touro Pocapena, do duque de Veragua. A colhida foi impressionante: o corno de Pocapena penetrou no olho direito do toureiro, matando-o em poucos minutos.
Entre os espectadores que assistiram à morte de Granero encontrava-se o escritor francês Georges Bataille (1897-1962). O dramático sucesso está presente no seu livro «História do Olho», uma obra de um erotismo violento, onde amor e morte, céu e inferno se cruzam e contaminam, colocando o autor ao lado dos grandes escritores libertinos, como Sade ou Masoch. «Campos de análise» de Bataille são, entre outros, «a cosmogonia do desespero, a alucinação acesa e amarga da solidão absoluta», escreve José Carlos González, que em 1988 traduziu a obra para a editora Livros do Brasil. «A 7 de Maio de 1922, La Rosa, Lalanda e Granero deviam tourear na praça de Madrid. Com Belmonte no México, Lalanda e Granero eram os grandes matadores espanhóis»...

sexta-feira, 20 de março de 2009

Dois maestros

Manuel Rodríguez Manolete e Simão da Veiga, no pátio de quadrilhas de uma praça de touros presumivelmente em Espanha. Simão da Veiga (1903-1959) toureou bastante no país vizinho, competindo, por exemplo, com o rejoneador Antonio Cañero. Nas principais praças espanholas – Madrid, Sevilha, Barcelona, Pamplona – Simão lidou e estoqueou touros em pontas. Actuou em Manzanares, em 11 de Agosto de 1934, na corrida em que o célebre matador Ignacio Sánchez Mejías foi mortalmente colhido pelo touro Granadino. Do currículo de Simãozinho, como era conhecido, consta a glória de ter sido o primeiro português a cortar uma orelha em Madrid. Na mesma imagem, dois toureiros de génio: o Monstruo de Córdova e o cavaleiro do Lavre.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Viu estas peças? (III)

Trajes de luces numa vitrina. Talvez um deles fosse o último que Manolo Bienvenida envergou, e que seu pai, o Papa Negro, ofereceu ao museu do Campo Pequeno. Quem o viu?

Viu estas peças? (II)

Quadros, vitrinas contendo casacas de cavaleiro, capotes de passeio e objectos diversos, cabeças de touros embalsamadas... Onde páram?

Viu estas peças? (I)

Pertencem ao Museu João Baptista Duarte, inaugurado em 1937, numa dependência da praça de touros do Campo Pequeno. Há alguns anos, as centenas de peças que compunham o acervo do museu desapareceram misteriosamente (?), levando consigo uma importantíssima parte da memória daquela praça e da própria tauromaquia portuguesa. O caso deve ser único no mundo. Não desapareceu um, nem dois objectos: foi todo o recheio do museu que levou sumiço. É certo que o touro cuja cabeça aqui se reproduz se chamava Vadiante, mas não terá sido por isso que o animal deixou o museu e anda por aí a vadiar...
As imagens são da autoria do fotógrafo Mário Novais e foram publicadas no nº 25/26 da revista «Panorama», em 1945.


quarta-feira, 18 de março de 2009

25 anos de alternativa de António Telles em livro

Os 25 anos de alternativa de António Ribeiro Telles, que se assinalaram a 21 de Julho do ano passado, são o motivo do lançamento de uma fotobiografia do cavaleiro de Coruche. São seus autores João Carrinho e o próprio fotobiografado. Segundo a nota de apresentação, a obra «retrata a carreira repleta de sucessos de António Ribeiro Telles, abordando a sua vida profissional, a relação com a família, a Herdade da Torrinha, os ensinamentos de seu Pai, os cavalos, o campo e o conceito clássico do seu toureio.»
Se há cavaleiro cuja carreira merecia um trabalho semelhante, é António Ribeiro Telles. Pelos seus méritos, mas também por ser o mais fiel representante de um conceito de lide ameaçado: o toureio a cavalo à portuguesa. Num momento em que as nossas praças assistem a patéticas manifestações de luso-rejoneio, António Telles toureia raivosamente à portuguesa, prosseguindo e honrando a mensagem paterna. Até no simples gesto de actuar de tricórnio -estampa toureira!-se vê o muito que o distingue dos demais. Com os 25 anos de alternativa de António Telles é o próprio toureio português que está de parabéns.

terça-feira, 17 de março de 2009

Juanita Cruz, primeira mulher matadora de touros


Há precisamente 69 anos, doutorava-se na praça mexicana de Fresnillo Juanita Cruz- a primeira mulher a obter a alternativa de matador de touros. Nascida em Madrid, em 1917, começou a tourear em 1932, mas a guerra civil travou-lhe o passo. Radicou-se então na América Latina, onde colheu significativos triunfos. Na posse da alternativa, regressou a Espanha em 1946, para exercer a profissão no seu país. Contudo, uma lei impedia as mulheres de tourearem em solo espanhol, o que truncou irremediavelmente a carreira de Juanita. Ainda como bezerrista, actuou no Campo Pequeno em 11 de Junho de 1933, num festival de variedades taurinas. «A elegante toureira espanhola não teve medo dos garraios e mostrou habilidade nos passes de capote», garantia «O Século».