quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Passo a citar (II)

«Daí que os rejoneadores espanhóis sempre se esforçassem para atingir o aperfeiçoamento dos cavaleiros portugueses. Mas com o tempo, sobretudo nos últimos anos, a situação parece estar invertida. Actualmente, são alguns dos cavaleiros portugueses que se esforçam para atingir a espectacularidade dos rejoneadores espanhóis.»

Catarina Bexiga (Novo Burladero, Fevereiro de 2009)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Sobre touros e toureiros...grátis

Não conheço muitos sites assim. Que disponibilizem gratuitamente tantos e tão interessantes estudos de temática taurina, fruto do labor e dedicação de Juan José Zaldívar Ortega (na foto), doutor em Medicina Veterinária e Zootecnia. Dada a formação do autor, os escritos sobre o touro estão em maioria: «Agresivos y Poderosos Toros de Ayer...», «El Enigma de la Bravura», «4000 Toros 4000», «Miuras, más de ciento cinquenta años de gloria y de tragedia», «Enciclopedia del Toro de Lidia», «Incursionando en lo Desconocido - Apuntes sobre la 'Caída' del Toro Bravo». Mas contam-se igualmente títulos sobre os protagonistas humanos da Festa: «La Saga de los Bienvenida», «Rafael Ortega Domínguez, el rey de espadas del siglo XX», «Bernardo Gaviño Rueda», «Los Varilargueros de El Puerto de Santa Maria». Para aceder às obras de Zaldívar Ortega basta clicar em http://www.fiestabrava.es/.

Passo a citar (I)

«...o toureio a pé tem uma importância vital, porque só aí [os aficionados] se encaram com a verdade primordial do toureio: a emoção do encontro e confronto entre um homem e um touro com as hastes limpas.»

David Leandro (Novo Burladero, Fevereiro de 2009)

sábado, 31 de janeiro de 2009

Memória de Ponciano


Uma das sortes mais vistosas da lide equestre é o par de bandarilhas. Esta sorte vulgarizou-se em Portugal a
partir da década de 1930, com a rivalidade entre Simão da Veiga e João Núncio, prosseguiu através de cavaleiros como Manuel Conde, e, após uma fase de quase desaparição, renasceu nos anos 80 do século passado, com Joaquim Bastinhas. No entanto, um dos primeiros ginetes a praticá-la no nosso país terá sido um mexicano, Ponciano Díaz, no já longínquo ano de 1889.
Nascido em 1858, na hacienda de Atenco, Ponciano Díaz era um charro, isto é, um vaqueiro, tão destro no manejo do laço como a tourear a cavalo e a pé. Depois de se consagrar como novilheiro no seu país, sem deixar de praticar as sortes charras e as habilidades a cavalo, desloca-se à Europa em 1889, para cumprir uma série de oito contratos em praças de Espanha e Portugal. Acompanhado de outros dois charros, Agustín Oropeza e Celso González, Ponciano causa sensação pela indumentária e pelos descomunais bigodes. A 17 de Outubro, vestido de luces, recebe a alternativa de matador de touros, das mãos de Frascuelo, na praça de Madrid. Actua depois em Lisboa, onde maravilha os espectadores com os seus espectaculares números, entre os quais se destacava a sorte de bandarilhas a duas mãos. O antigo folheto de cordel contendo umas décimas dedicadas ao «Glorioso Êxito de Ponciano Díaz e dos seus Valentes Charros», que se reproduz, mostra o toureiro dos bigodes em acção. A gravura é do ilustrador mexicano José Guadalupe Posada.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Um caso de alergia?

As publicações taurinas portuguesas parecem ter alergia a livros. Das pouquíssimas obras de tema tauromáquico que em Portugal se publicam, não dão mais do que um ligeiríssimo eco. O mesmo é dizer: título, autor, editora, e ala que se faz tarde e há assuntos mais importantes a tratar. Que diabo! Será que entre os inúmeros cronistas que enxameiam as páginas dos ditos jornais e revistas não há um que passe os olhos pelo que se publica e queira transmitir a opinião, boa ou má, com que ficou? Os autores não se ofendem e até agradecem que lhes corrijam eventuais imperfeições. Ou pensarão que falar de um livro com certo pormenor é fazer-lhe publicidade (não paga) e há os risco das vendas dispararem e o autor ficar rico? Em contrapartida, abrem-se as revistas do outro lado da fronteira e não faltam recensões sobre o muito e bom que por ali se edita. Não há dúvida: na imprensa taurina como em muitas outras coisas, Portugal é mesmo um caso à parte!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

El Espartero em Lisboa

Manuel García Cuesta, o célebre Espartero, toureou na praça do Campo Pequeno em Setembro de 1892. «É de esperar hoje na praça do Campo Pequeno uma enorme concorrência, pois os amadores das diversões tauromáquicas têm grande empenho em ver o trabalho do afamado espada Espartero», antecipava «O Século». «Este notável artista», prosseguia o jornal, «já trabalhou na praça de Sintra, onde foi entusiasticamente aplaudido.»
Maoliyo conquistava o público mais pelos alardes de valentia do que pela graciosidade do seu toureio. Quando lhe recordavam os riscos a que se expunha, costumava retorquir com uma frase que ficou célebre: «Mais cornadas dá a fome!» Na corrida de Lisboa, El Espartero «não pôde ser devidamente apreciado», lastimava D. Izidro, nas páginas da revista «A Trincheira». O crítico, que deu ao seu apontamento a forma de crónica musical, assinala que «Espartero, com a muleta, fez-nos ouvir um escolhido trecho cremos que sobre a canção do Toreador da Carmen, sobressaindo em dois dós de peito, terminado com uma fífia ao simular um volapié. (…) Reconheceu-se, ainda assim, que possui uma bela voz.» A temeridade de Manuel García ditou-lhe a morte, passados dois anos. Em 27 de Maio de 1894 tomba na praça de Madrid, vítima do touro Perdigón, de Miura.
O caricaturista Rafael Bordalo Pinheiro, na sua revista «O António Maria», reportou a passagem de El Espartero por Lisboa, poucas semanas após a inauguração da praça do Campo Pequeno. Perante o escasso poder das reses de Estêvão de Oliveira, o diestro exclama: «Me dá verguenza».

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Toreros Antiguos


Carlos González Ximénez é um repórter e fotógrafo espanhol especializado em temas etnográficos. Coleccionador de fotografias antigas, é proprietário do valioso arquivo de seu avô, o fotógrafo Diego González Ragel, que viveu na primeira metade do século passado. Com base neste espólio, González Ximénez criou o blog http://torerosantiguos.blogspot.com/, onde podem ser vistas interessantíssimas fotografias taurinas. A visitar por todos os que se interessam pela história da Festa.