A Universidade Autónoma de Ciudad Juárez (México) disponibiliza no seu site uma magnífica colecção de bilhetes postais antigos, trezentos dos quais são de tema taurino. Os amadores da cartofilia ou os simples aficionados podem ver as grandes figuras do toureio retratadas em praças mexicanas, de Rodolfo Gaona a Chicuelo, de Belmonte a Manolete.sexta-feira, 3 de outubro de 2008
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A Universidade Autónoma de Ciudad Juárez (México) disponibiliza no seu site uma magnífica colecção de bilhetes postais antigos, trezentos dos quais são de tema taurino. Os amadores da cartofilia ou os simples aficionados podem ver as grandes figuras do toureio retratadas em praças mexicanas, de Rodolfo Gaona a Chicuelo, de Belmonte a Manolete.quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Bibliotaurus (1)

A biografia é um dos géneros desde sempre privilegiados pela literatura de tema tauromáquico. Raro é o toureiro de fama cujos trabalhos e dias não foram contados, com maior ou menor fortuna, em letra impressa. Uma das melhores obras do género é «Juan Belmonte, matador de toros», do jornalista sevilhano Manuel Chaves Nogales (1897-1944).
Como realça a também jornalista Josefina Carabias no interessante epílogo à obra, Chaves Nogales não era aficionado, nem mostrava o menor interesse pela vida taurina. Resolveu escrever sobre Belmonte levado apenas «por el interés que despierta siempre en el escritor un tipo humano de carácter excepcional.»
A história é contada na primeira pessoa, mas por detrás do monólogo belmontino está Chaves Nogales e a limpidez da sua linguagem. De acordo com Josefina Carabias, não há nela «exageraciones, ditirambos, tecnicismos ni latiguillos». Daqui resulta a legibilidade das suas páginas, que a torna acessível a todos. Não é preciso ser-se aficionado de solera, nem conhecer a fundo o argot taurino para saborear o trabalho de Chaves Nogales como quem saboreia uma excelsa faena.
Pelas páginas do livro, publicado em 1935, perpassa um Belmonte de coração aberto, que recorda o seu debute em Elvas, numa quadrilha de niños sevillanos, as inúmeras dificuldades para impor o seu original toureio, o convívio com os intelectuais seus partidários e por fim o triunfo – ensombrecido pela trágica morte de Joselito, o rival com quem viveu aquela a que chamaram a Idade de Ouro do toureio.
Como realça a também jornalista Josefina Carabias no interessante epílogo à obra, Chaves Nogales não era aficionado, nem mostrava o menor interesse pela vida taurina. Resolveu escrever sobre Belmonte levado apenas «por el interés que despierta siempre en el escritor un tipo humano de carácter excepcional.»
A história é contada na primeira pessoa, mas por detrás do monólogo belmontino está Chaves Nogales e a limpidez da sua linguagem. De acordo com Josefina Carabias, não há nela «exageraciones, ditirambos, tecnicismos ni latiguillos». Daqui resulta a legibilidade das suas páginas, que a torna acessível a todos. Não é preciso ser-se aficionado de solera, nem conhecer a fundo o argot taurino para saborear o trabalho de Chaves Nogales como quem saboreia uma excelsa faena.
Pelas páginas do livro, publicado em 1935, perpassa um Belmonte de coração aberto, que recorda o seu debute em Elvas, numa quadrilha de niños sevillanos, as inúmeras dificuldades para impor o seu original toureio, o convívio com os intelectuais seus partidários e por fim o triunfo – ensombrecido pela trágica morte de Joselito, o rival com quem viveu aquela a que chamaram a Idade de Ouro do toureio.
(«Juan Belmonte, matador de toros», Alianza Editorial, Madrid, 2003)
Palmas para quê?

O pesadelo começa aos primeiros acordes do pasodoble. O casal-que-foi-aos-toiros-porque-está-lá-o-social, a jovem turista japonesa, o provecto turista americano, alçam as mãozinhas e vá de bater palmas a compasso. Pavlov teria aqui muito que estudar. É assim nos circos, quando toda a companhia desfila ao som da orquestra, ou quando os palhaços pedem às crianças que batam palminhas. O fenómeno tem nome: infantilização, mau gosto, ignorância. Por mim, se fosse cavalo ou toiro, enchia a arena de cheirosa matéria orgânica, como forma de protesto. Se fosse empresário, faria o inverso do que se faz em concursos e talk-shows televisivos. Em vez de pôr um sujeito a mandar o público bater palmas, poria um com um cartaz que rezaria: não bater palminhas enquanto a música toca. Tenho esperança que um dia destes um toureiro levante a mão e peça ao maestro para calar a fanfarra, e com ela o enervante palmejar. Como fazem os matadores-que-matam-mesmo, quando pedem à banda que suspenda a música no momento da estocada. Mas estamos em Portugal. Aqui não se afere o êxito dos artistas pelas orelhas que cortam, mas pelas voltas ao redondel ou pela musiquinha que soa ou não soa. Quem manda é o Paquito Chocolatero... Ou o Nerva, que sempre é menos kitsch.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Olhar e só ver cavalos

O novilheiro português Daniel Nunes, da escola da Golegã, cortou uma merecidíssima orelha na feira espanhola de Moralzarzal, facto destacado pela imprensa on-line do país vizinho. Lê-se, por exemplo em http://www.burladero.com/: «Lo más destacado ha sido la actuación del portugués, tanto con un complicado tercero, que puso en muchos apuros a la cuadrilla, al que toreó con muchísima tranquilidad en una labor de mucho valor y mérito, sacando algún muletazo bueno.» Em contrapartida, abrem-se os sites taurinos portugueses e sobre Daniel Nunes nada de nada. Em contrapartida, ficamos a saber que um cavaleiro de quinta categoria deu duas voltas à arena de Arrifana do Meio.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Nuas, nem vê-las...

Até há pouco tempo, os aficionados portugueses que quisessem admirar toiros na sua beleza íntegra, tinham um caminho: procurá-los onde os criam, isto é, no campo. Isto porque nas nossas praças só se podem ver toiros com as hastes «ensacadas» (não vá alguém assustar-se com as imponentes armas de alguns deles...) ou com elas «barbeadas», para não fazerem buracos onde não devem. Agora, chegou a moda de embolar os pitones no próprio campo, para que os animais não os danifiquem. O sofisticado sistema de embolação inclui ligaduras adesivas, cartuchos, fibra de vidro e resina. Em Espanha, o pioneiro foi o ganadeiro de Fuente Ymbro, Ricardo Gallardo; por cá, já se faz o mesmo na ganadaria de Ortigão Costa. Que tal se pratique no país vizinho, até se admite. Lá, com excepção das reses destinadas ao rejoneo, os toiros são lidados como manda a natureza. Em Portugal, pelo contrário, com a praga do toiro embolado ou despontado, hastes íntegras e nuas nem vê-las...
«El número uno» em livro

O catedrático e ensaísta espanhol Andrés Amorós lançou recentemente uma biografia do célebre matador Luis Miguel Dominguín. Amorós, que conheceu o seu biografado quando tinha cinco anos, oferece-nos um perfil não apenas toureiro mas também humano de Dominguín. Dele afirma, por exemplo, que «forjou uma fama de pessoa arrogante e antipática», mas que para os amigos era inexcedível. «Dele digo sempre que era bom amigo, mau inimigo e pior esposo», sublinha Amorós. «Luís Miguel Dominguín - El Número Uno» tem chancela da editora Casa de los Libros.
Em defesa da Festa

As diatribes anti-taurinas que nos últimos tempos se têm feito ouvir não são de todo inúteis. Elas tiveram, pelo menos, o mérito de revelar novos defensores do fenómeno tauromáquico, que vão para além do argumento da «tradição» e esgrimem com outras armas. Refiram-se os nomes do prestigiado filósofo francês Francis Wolff, que no seu livro «Filosofia de las Corridas de Toros», publicado em Espanha pelas Edicions Bellaterra, procede a uma fundamentada defesa da Festa. Afirma Wolff: «La corrida no es ni inmoral ni amoral en relación con las especies animales. La relación del hombre con los toros durante su vida y su último combate es desde muchos puntos de vista ejemplo de una ética general. (...) En la corrida el toro muere necesariamente, pero no es abatido como en el matadero, es combatido. Porque el combate en el ruedo, aunque sea fundamentalmente desigual, es radicalmente leal. El toro no es tratado como una bestia nociva que podemos exterminar ni como el chivo expiatorio que tenemos que sacrificar, sino como una especie combatiente que el hombre puede afrontar. Tiene, pues, que ser con el respeto de sus armas naturales, tantos físicas como morales. El hombre debe esquivar al toro, pero de cara, dejándose siempre ver lo más posible, situándose de manera deliberada en la línea de embestida natural del toro, asumiendo él mismo el riesgo de morir.»
Por sua vez, a edição de Setembro da revista britânica «Prospect» inclui um artigo do escritor Alexander Fiske-Harrison, intitulado «A Noble Death». A propósito de uma corrida a que assistiu em Sevilha, Fiske-Harrison rejeita o carácter «bárbaro» do toureio e enfatiza a lealdade do combate homem/touro (http://www.prospect-magazine.co.uk/article_details.php?id=10357).
Por sua vez, a edição de Setembro da revista britânica «Prospect» inclui um artigo do escritor Alexander Fiske-Harrison, intitulado «A Noble Death». A propósito de uma corrida a que assistiu em Sevilha, Fiske-Harrison rejeita o carácter «bárbaro» do toureio e enfatiza a lealdade do combate homem/touro (http://www.prospect-magazine.co.uk/article_details.php?id=10357).
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