segunda-feira, 29 de setembro de 2008

«El número uno» em livro


O catedrático e ensaísta espanhol Andrés Amorós lançou recentemente uma biografia do célebre matador Luis Miguel Dominguín. Amorós, que conheceu o seu biografado quando tinha cinco anos, oferece-nos um perfil não apenas toureiro mas também humano de Dominguín. Dele afirma, por exemplo, que «forjou uma fama de pessoa arrogante e antipática», mas que para os amigos era inexcedível. «Dele digo sempre que era bom amigo, mau inimigo e pior esposo», sublinha Amorós. «Luís Miguel Dominguín - El Número Uno» tem chancela da editora Casa de los Libros.

Em defesa da Festa


As diatribes anti-taurinas que nos últimos tempos se têm feito ouvir não são de todo inúteis. Elas tiveram, pelo menos, o mérito de revelar novos defensores do fenómeno tauromáquico, que vão para além do argumento da «tradição» e esgrimem com outras armas. Refiram-se os nomes do prestigiado filósofo francês Francis Wolff, que no seu livro «Filosofia de las Corridas de Toros», publicado em Espanha pelas Edicions Bellaterra, procede a uma fundamentada defesa da Festa. Afirma Wolff: «La corrida no es ni inmoral ni amoral en relación con las especies animales. La relación del hombre con los toros durante su vida y su último combate es desde muchos puntos de vista ejemplo de una ética general. (...) En la corrida el toro muere necesariamente, pero no es abatido como en el matadero, es combatido. Porque el combate en el ruedo, aunque sea fundamentalmente desigual, es radicalmente leal. El toro no es tratado como una bestia nociva que podemos exterminar ni como el chivo expiatorio que tenemos que sacrificar, sino como una especie combatiente que el hombre puede afrontar. Tiene, pues, que ser con el respeto de sus armas naturales, tantos físicas como morales. El hombre debe esquivar al toro, pero de cara, dejándose siempre ver lo más posible, situándose de manera deliberada en la línea de embestida natural del toro, asumiendo él mismo el riesgo de morir.»
Por sua vez, a edição de Setembro da revista britânica «Prospect» inclui um artigo do escritor Alexander Fiske-Harrison, intitulado «A Noble Death». A propósito de uma corrida a que assistiu em Sevilha, Fiske-Harrison rejeita o carácter «bárbaro» do toureio e enfatiza a lealdade do combate homem/touro (http://www.prospect-magazine.co.uk/article_details.php?id=10357).

«Eran las cinco en sombra de la tarde!»


Poucos meses antes de morrer, fuzilado pelos falangistas, o poeta Federico García Lorca afirmou numa entrevista: «Creo que los toros es la fiesta más culta que hay hoy en el mundo». Culta no sentido de estar fundamente enraizada na cultura ibérica, e nas culturas latino-americanas por ela geradas; e na acepção de fenómeno inspirador de «obras» que integram a cultura universal - no campo das artes plásticas, da literatura ou das artes cénicas. García Lorca deu, ele próprio, um contributo de monta para exaltação literária da Festa, com o seu majestoso «Llanto por la muerte de Ignacio Sánchez Mejías». Para além da poesia, o génio granadino filosofou também sobre o toureio, em escritos como «Teoría y juego del duende». A ligação de Lorca ao universo tauromáquico estendeu-se até ao momento da sua morte: o poeta foi fuzilado junto com dois bandarilheiros anarquistas, Joaquín Arcollas Cabezas e Francisco Galadí Melgar. (Composição gráfica de Francisco Moncada)